domingo, 10 de maio de 2009

"Areluia groria a deusssss"

O centro de São Paulo é praticamente um circo a céu aberto. Tem de tudo, ouve-se de tudo, acontece de tudo. Mas não foi a primeira vez que eu reparei em uma cena meio bizarra, muito embora bastante comum. Voltando da faculdade, já tarde da noite, notei aquela roda de pessoas na Praça da Sé, ouvindo um ser vestido com uma roupa social bizarra, uma bíblia na mão e vociferando mil e uma groselhas.

Era mais um crente calejando as cordas vocais para salvar a humanidade. Mas o que mais me choca não é um desocupado ficar gritando asneiras a plenos pulmões numa praça, mas o fato de haver mais uns vinte ou trinta desocupados dispostos a prestar atenção no tal do crente. Ah! Pelamor, meu amigo! Vai trabalhar, vai jogar dominó, vai beber pinga, vá fazer alguma coisa da vida! Mas escolher ficar ouvindo maluco falar groselha na Praça da Sé é algo que realmente não consigo entender...

Aliás, não consigo entender o fenômeno "crente" no Brasil. Morei um ano na Fraça, e na Europa tem bastante gente protestante, mas nesse um ano lá eu reparei que os caras freqüentam a igreja deles, têm lá as crendices meio bizarras - para mim - deles, não bebem, não metem, não cheiram, mas não enchem o saco de ninguém! Nem ficam pregando em praça pública.

Pra mim, esse lance de pastor pregando na praça é algo muito terceiro-mundista. Obviamente que é reflexo da pouca - ou inexistente - educação do nosso povo. Pode parcer preconceito meu, e até acho que é. Mas, sinceramente, não dá pra levar a sério pessoas que acreditam na teoria da criação. Tipo, Darwing de cu é rola, e nós viemos todos de Adão e Eva. A teoria da evolução se aplica a todos os animais, exceto os ser humano. A mulher? Ora, a mulher veio da costela do homem! Ah! Não tem como aceitar isso, na boa!

Pior é que aqui no Brasil estabeleceu-se a "indústria da fé", com igrejas riquíssimas e poderosíssimas. Os caras têm rede de televisão! Têm até bancada no congresso! Quem perde com isso é a população, claro. Já que projetos de lei importantes - como o do uso de células tronco ou legalização do aborto - são barrados por esse povo super "pra frentex", que orienta sua vida com base num livro escrito há mais de doi mil anos, sabe-se lá por quem, cheio de metáforas e coisas desconexas.

Os "pra frentex" também acham que o sexo tem que se restringir ao casamento, quando não são mais radicais, e proclamam: sexo é só pra reprodução! Hahahahaha... Haja paciência! Já ouvi de uma crente a seguinte frase "hoje em dia, os homens não dão valor nenhum pra virgindade de uma mulher!" que valor, minha filha? Pelamor! Que porra de valor?! Quer que a galera faça festinha e bata palma quando alguém perde a virgindade?! Ou, melhor, quer que se pague dote pelos cabacinhos rompidos? Acho que deve ser isso. Dar valor à virgindade deve ser pagar o dízimo pra menina deflorada. É mais coerente com a filosofia do "dizimo salvador".

Alias, o dízimo, minha gente, serve apenas para manter as instalações da igreja, viu? Pastor andando de carro blindado e ganhando R$ 10.000,oo por mês num país onde o salário mínimo não chega a R$ 500,00 é algo extremamente necessário para o bom funcionamento da casa de deus (com letra miníscula, DE PROPÓSITO!).

Agora, a cerejinha do bolo, pra aumentar a raiva dominical: igreja no Brasil não paga imposto. É, os caras têm um patrimônio absurdo, e não pagam porra nenhuma de imposto! Eu acho isso inaceitável. Mesmo! Precisamos de uma revolução francesa no Brasil... Já pensou que lindo confiscar o patrimônio da Igreja? E botar essa galera da vida fácil toda pra trabalhar? Ia ser sensacional...

P'ra finalizar, posto o link para um video que inspirou o título desse post: http://www.youtube.com/watch?v=KC0on_LpoMM.

É um vídeo pra lá de engraçado, mas ao mesmo tempo extremamente triste. Por que triste? Basta uma leve sapeada nos comentários pra ver que tem gente que REALMENTE acredita nisso, leva a sério e ainda incentiva essa lavagem cerebral estúpida. Pobre criança! Cadê o Juizado da Infância e Juventude numa hora dessas? Os pais dessa menina tinham que ser interditados...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Fumaça

“Aí, André! Posso pegar uma cadeira vazia e juntar nessa mesa aqui do canto? Valeu!” Depois de aceitar o convite pro bar, é bom aparecer, não é? E achei que seria justo uma homenagem ao André, garçom que, por anos, aturou 2 dos 3 que aqui escrevem até agora. Será um prazer beber, digo, escrever com vocês, Carol e Gabriel!

Peço perdão pela possível falta de acentos (ou excesso deles): malditos teclado norte-americano e reforma ortográfica! Sinto-me um analfabeto! Também peço desculpas por escrever um post sobre um assunto que não entendi direito... Talvez o Gabriel seja o mais indicado! Ou não... Hehehe.

Não sou fumante. Ao contrario, costumo dizer que odeio o cigarro e, obviamente, sua fumaça. Lembro-me de concordar com a lei que proibiu fumo em locais fechados na Alemanha (eu estava por aquelas bandas quando a lei entrou em vigor)... me lembro, também, de pensar “poxa, em São Paulo já é assim há um tempo...” Algumas pessoas podem alegar que já me viram com um cigarro na boca. Fato! Isso já aconteceu algumas (poucas) vezes... e eu estava extremamente bêbado/com frio. Portanto, se um dia você me vir com um cigarro, tenha certeza de que estou a caminho de uma hipotermia e/ou uma cirrose! Hahahaha (e, pra piorar, talvez um câncer de pulmão).

Toda esta lenga-lenga é pra falar sobre a proibição de fumo em estabelicimentos comerciais de São Paulo. Gabriel e eu costumávamos, entre uma cerveja e outra, fumar cachimbo no bar onde o André trabalhava... Mas ficávamos nas mesas da calçada, do lado de fora... concordo que a fumaça incomoda quem está ao lado, tanto quanto a do cigarro. Aliás, não! Um fumo de cachimbo bem escolhido não fede, ao contrario, tem um odor até que agradável. Sou totalmente a favor da proibição do fumo em lugares fechados, mas, áreas abertas, não sei não... E vocês, o que acham???

"Ei, André! Mais 2 garrafas bem geladas aqui, faz favor?"

E assim a mesa cresce.

Como havia dito antes, esse bar, digo, blog, precisa de mais bêbados... Er... Digo... Ah, sem hipocrisia por aqui! Precisamos de mais bêbados com idéias ébrias pra ilustrar e animar o ambiente. Bom, dessa vez não vou apresentar alguém que conheci num samba, numa balada, ou numa pegação qualquer... Vou apresentar alguém que conheci muito antes de saber o que era um samba, pra que servia uma balada, ou como se comportar em uma "pegação". Introduzo nesse blog (ui!) meu ilustre camarada Rafael Videira, músico talentoso, estudante brilhante, e amigo que me deve algumas cervejas.

Direto dos USA, esse mestrando - ou melhor, doutorando - tupiniquim vai nos escrever um pouco de suas impressões filosofais da vida

Sem mais milongas, senta a vara, Rafinha! (ui!)

domingo, 26 de abril de 2009

Mais uma rodada, por favor!

Convite aceito, cá estou eu! Talvez primeiro post da minha vida (chama-se post, não?)

Espero manter o altíssimo nível das diversas conversas de bar que já participei, inclusive da citada abaixo (modéstia à parte uma verdadeira filosofia de buteco feita a dois!).

Conversa de bar que é conversa de bar não tem dia, não tem hora e não tem compromissos que atrapalhem, é aquela coisa que você vai, jurando que ficará só um pouquinho, e quando vê, já não lembra onde é a sua casa, quem ficou com o seu dinheiro ou que dia da semana é.

Mas algo você nunca esquece, o nome do garçom, que gentilmente sempre atende ao pedido de mais uma rodada.

Pela rodada a mais de cada dia, cá estou.

Samba, cachaça e Carol...

Um blog que se propõe a ser um canto de "divagações baratas e filosofias de boteco" regado a petiscos gordurosos e cachaça amarelinha teria, por uma questão de lógica, que ter mais pessoas escrevendo. Afinal, comer torresmo e tomar uma dose de "Claudionor" sozinho, de pé, encostado no balcão, é muito degradante.

Sempre soube disso, mas não sabia exatamente quem convidar. Precisava de pessoas com o espírito "papo de boteco", senão o blog poderia virar meio que um saladão de coisas nada a ver. Pois bem, encontrei mais um membro para a equipe!

Tudo começou num samba, desses sambas dos bons. Cachaça vai, cachaça vem, eis que me deparo com uma moça alta, meio sem jeito, que me ofereçe um trago, um traguinho do seu mé. Seus olhos grandes e claros me chamaram a atenção, mas naquela altura eu fui mais pela cachaça mesmo. Estávamos mortos de cansaço, porque o samba estava pefeitamente bom. Sentamos, e começamos a conversar. "Carolina de L'aquila, mas pode me chamar de Carol". Carol é uma pessoa especial, e fez do samba mais que samba, despretenciosamente.

Foram horas a fio de um papo que fluia de vento em popa, o melhor e mais refinado papo de boteco! Falamos sobre psicologia, morfologia, lingüística, chaves de fenda, pneus de bicileta, alcachofras, vinhos e física nuclear... Perfeito! Então eu disse "olha, Carol. Acho que temos muita coisa em comum, e eu adorei esse papo... O que acha de irmos assim, prum lugar mais reservado, mais calmo, onde possamos expor nossas turbulentas idéias de maneira mais confortável e aprazível!?"

"Mas é claro que eu quero ir, disse ela pegando em minha mão e olhando fixamente com aqueles olhos de comer fotografia... Agora!"
Então eu a trouxe para o "De pé no Balcão", e agora temos um novo bêbado... digo... Membro na equipe!

terça-feira, 21 de abril de 2009

SP, Brasil, Vida...

Trabalho em uma região dita nobre aqui de São Paulo. Metro quadrado caro, trânsito, carência de transporte público e abundância de estacionamentos. O Brasil é uma beleza! Levo exatos 22 minutos para ir até o meu trabalho de carro, mas suadas 1h15min quando vou de metrô+ônibus. E o que leio nos jornais nos últimos dias? O Governo reduziu o IPI sobre automóveis! Maravilha minha gente, vamos lá! Rumo à cifra de um carro por habitante. E depois, enfiem no cu seus carros, porque não haverá nem lugar pra eles no trânsito nem vagas em garagens...

Não tenho carro. Uso, quando preciso, o carro da família, que serve todo mundo da casa. Sou dia após dia forçado pelas circunstâncias a comprar um carro. Tenho um trabalho bacana, relativamente bem remunerado, e simplesmente não há transporte público eficiente para me fazer superar todos os dias os 8,6km que separam minha casa do escritório. Mas eu me recuso. Não vou ser mais um casulo de lata ambulante com uma única pessoa dentro, disputando cada palmo do já inexistente espaço das ruas paulistanas. Me recuso a lançar toneladas de CO2 a mais na atmosfera pra ir sozinho ao trabalho dentro de um carro onde caberiam 5 pessoas. Sem chance, no way, aucune possibilité. Pensei em comprar uma moto, mas de pronto minha família se opôs com veemência. Tá certo, não tiro a razão deles. Andar de moto nessa loucura que é o trânsito paulistano é insentatez descabida.

Resumo da ópera, a cada dia que passa, centenas de carros são incorporados à frota paulistana. Não acredito que demore muito para que a situação torne-se insuportável. É uma questão de física, não há espaço físico para todo mundo! A solução é simples e óbvia: transporte público. Mas o transporte público em São Paulo é sofrível, ridículo. Poucos são os corredores exclusivos de ônibus e fica evidente que o carro ainda é prioridade no trânsito. Soma-se a isso a cultura cabocla-classe-média-obtusa brasileira, em que andar de ônibus é coisa de pobre. "EU? Fulano de tal tal e tal, dentro de um... ônibus!? Nem morto! Credo!". A gente vai levando, um dia eu surto e me mudo pra bem longe da civilização...

sábado, 11 de abril de 2009

Ela tinha um jeito meio seu de assinar cada mensagem que lhe enviava: T. Só isso, tê e ponto. Ele também tinha lá seus cacoetes, chamava a moça de "Moça". O mais engraçado, tanto para um como para outro, era ver seu vício estilístico sendo copiado pelo outro. "Oi, moço..." era motivo de sorriso bobo na cara. Tanto quanto um "com carinho, G." no final de uma mensagem dele pra ela.

Cismaram de fazer alguma coisa, porque o moço tinha uma semana sem aulas, e a moça uma semana de férias pra vencer. Uniram o útil ao agradável, embolaram os trapinhos e caíram no mundo, meio sem destino. Era gostoso viajar sem destino. Ela tinha lá alguns parentes pelo interior. Decidiram que fariam um roteiro improvisado, de forma que passassem pela parentada, visitando alguns primos e tios distantes, mais pela farra do inesperado do que por saudade propriamente dita. Ela gostava de desfilar por aí ao lado dele, como se fossem amantes de longa data. Ele gostava de se sentir gostado, e era tudo. Já lhe bastava.

Parentes contando histórias da infância. Saudade meio gostosinha, nostalgia. Copos de cerveja sempre fartos, aquela comida tão simples e tão deliciosa, talvez pela simplicidade mesmo fosse assim gostosa. Risadas altas, ela contava porque estava alí, e quem era o "moço" tímido que a acompanhava. A mais idosa das tias não pode se conter, e acabo soltando a caricata frase "ah, mas então estão viajando só os dois sozinhos? Que perigo do moço fazer mal pra menina!" Eis que a moça retruca "Mal? Faz é bem, minha tia! Muito bem".

O moço não sabia onde enfiar a cara de vergonha, mas no fundo percebeu que a simplicidade tem sim a sua pitada de poesia, e acabou por gostar da desbocagem da menina.