quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Boteco São Bento - O pior bar do Sistema Solar

Encontrei esse texto no blog do Cardoso, e resolvi aderir à ideia. Não sei se o texto original é dele, mas fica impossível confirmar com tantos blogs o reproduzindo; de toda forma, acho que quem criou queria iniciar uma espécie de marketing viral, então creio que o Sindicato dos Blogueiros não vai me processar — apenas os advogados de merda, já fartamente conhecidos.


O blog Resenha6 escreveu o post abaixo (detalhes ulteriores aqui) sobre o péssimo atendimento de um tal "Boteco São Bento". O resultado foi o dono do bar aparecer nos comentários atacando no melhor estilo baixaria os donos do blog, coisas do nível "Felizmente não precisamos de clientes do seu perfil" pra baixo.

Como essa estratégia não foi bem-recebida pelos leitores, o próximo passo foi soltar uma notificação extra-judicial, basicamente ameaçando de processo o blog, caso não retire em 24 horas o post.

Pois bem; acho que advogados também merecem ganhar seu dinheiro, então sugiro que a advogada do Boteco São Bento tenha bastante trabalho. Minha proposta: TODOS, digo TODOS os blogs devem publicar o MESMO post. Assim ela terá que enviar notificação para TODO MUNDO. Ou fechar a Internet.

Aqui minha contribuição. Aguardo a notificação.



Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha simpatia no atendimento.

* Fui no da Vila Madalena. Dizem que o do Itaim é ainda pior.
* Para dicas de botecos que valem a pena, leia outras resenhas aqui.
* Siga o Resenha pelo Twitter antes que eu bote outro link na mesa.


Resenhado por
Raphael Quatrocci

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Filosofia de boteco

Finalmente, eis que dou as caras. O cara do monitor silencioso que chamava a atenção do vizinho no metrô, numa hora que nem japonês está acordado, com zumbis engravatados andado por aí. Lê de novo, faz sentido o que eu escrevi.
Pois bem, cá estou em pé no balcão. E como filosofia de boteco é o melhor tipo de divagação, divido aqui uma epifania que tive há meses, sentado num boteco com copo sujo, com um amigo bêbado me mandando à merda a cada palavra minha.
Minha senhora, meu senhor, eu vos digo: eu descobri o sentido da vida. Não é bem o sentido, propriamente dito, mas eu tenho a prova de que há vida após a morte. Requesito vossa máxima atenção, porque essa (ins)piração vai longe.
Vamos pensar logicamente, e partir do pressuposto que o tempo é infinito. Sim, você já deve ter percebido que eu sou um daqueles bêbados chatos que faz questão de dividir suas teorias malucas na pior hora do dia; aquela em que tá todo mundo bem louco.
Pois bem, o tempo é infinito e ponto final, porque senão a teoria não funciona - e convenhamos, se o tempo não for infinito, o que vem depois do fim do tempo?
Considere a possibilidade de você ganhar na Mega Sena. Calma, eu já chego no sentido da vida. Enfim, pense na chance de você ganhar legitimamente na loteria. A matemática correta eu não sei, mas imagino que seja algo entre 0% e 0,001% de chance. Pois bem, sendo o tempo infinito, não importa quão ínfima seja essa porcentagem, ela sempre se concretizará. Claro, pois qualquer possibilidade minúscula multiplicada pelo infinito resulta sempre em 100%. Isso quer dizer que as chances de você virar milhonário(a) da noite pro dia é de 100%. Ademais, as chances de você ganhar na loteria 27 vezes seguidas - lembre-se que legitimamente - também é de 100%. Por quê? Porque o tempo é infinito.
Sendo o tempo infinito e considerando, ainda, que a vida é a somatória de corpo e algo a mais, as chances de um corpo idêntico ao seu encontrar exatamente o mesmo "algo a mais" seu daqui a infinitos anos é de 100%, o que significa, portanto, que existe vida após a morte. Não no sentido clássico da crença, mas no sentido de que a vida, como o tempo, é infinita. As chances de tudo o que conhecemos acabar é de 100%, assim como as chances de tudo começar de novo é de 100%. As chances do Big Bang se repetir são de 100%. As chances do seu "algo a mais" viver sob qualquer circunstância e ocupar qualquer tipo de corpo, são também de 100%. Assim, todos vivemos sob todas as condições e dentro de todos os corpos de todos os tipos de vida, tanto de maneiras idênticas quanto de modos totalmente diferentes, infinitas vezes, por toda a eternidade.
Assim, sentimos felicidade infinita, tão quanto tristeza infinita, saudades infinitas, loucura infinita, paixão infinita, doença infinita, orgasmos infinitos. Tudo exatamente na mesma quantidade: o infinito. Infinitamente buscando algum sentido pra tudo isso.
Então na próxima vez que você estiver numa mesa de boteco, valorize cada gole de sua cerveja - você beberá dessa garrafa por toda a eternidade. Valorize a barata que morre na sola do seu sapato, ela voltará pra te infernizar e morrerá novamente por sua sola suja, sempre. Mas mesmo que aconteça sempre, valorize! Porque um dia, sem aviso prévio, aquela mesma barata vai se vingar de você, e a mesma cerveja vai estar quente - sempre.
Filosofia de boteco - valorize.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A janela

Tudo começou com um susto. Um pequeno espanto diante do inesperado. Alguém teria que sacrificar um sorriso para demonstrar a verdade. Não quero mais isto ou aquilo, quero somente aquilo que já se esqueceu de mim. Tempo sem gosto nem cheiro. Tempo que não se escolhe viver. Sol da manhã que nasce com fúria, deixando transparecer a poeira que pousa com simplicidade no simples assoalho de terra. Terra vermelha da cor da paixão. Paixão que sangra toda palavra que constrói ação. Olhos carentes do cão que chora. Que chora de fome na frente daquele que come. Aquele que come, come com fúria. Fúria de homem e não de sol. Homem que já foi à Lua. Lua que agora brilha cheia. Cheia de amargura de não estar mais sozinha. E sozinha, da janela da cozinha, ela vê a Lua. A menina dos olhos da menina que vê a Lua, agora chora. Chora de vontade de voltar para a Lua. Mas ela nem mesmo sabe, que nunca esteve na Lua. Adultos não dizem a verdade. Era apenas força de expressão. Não me interessa mais. Além do que, já tenho o que me faz feliz. Uma janela. Uma pequena janela que me deixa ver a Lua e o Sol. E disso eu tenho certeza. Tenho a certeza que a janela não mente. Pela janela posso ver, escutar, ouvir e falar. Hoje a janela amanheceu um pouco triste. Tristeza esta que se foi com o vento. Vento que às vezes bate a janela na cara. Na cara daquele que quer saber. Que sempre quer saber porquê a janela fecha.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Bem vindo ao jogo

Não viver a vida com todas as suas dores e cores é tolice ou covardia. Cada dia é único e as possibilidades são infinitas. As chances são desiguais? Sim, bastante. Mas você está no mundo, este é o jogo. O quê você vai fazer? Ficar reclamando igual um bebê chorão? Seguir as regras sem se questionar? Eu prefiro inventar as minhas próprias regras! Caminho de forma discreta, efetiva e adequada neste mini-mundo que me obrigaram a viver. Pago as minhas contas com o suor da labuta diária, com a resignação de um predestinado, quase um santo, mas no fundo, faço da vida uma brincadeira. Pois para mim é isso que ela é; um jogo. Alguns acreditam que este jogo é real, se confundem com as máscaras que a sociedade nos faz vestir. Acreditam ser o executivo do ano, o popstar, o doutor, o milionário, o melhor pai, a boa de cama, o religioso... E assim vão sustentando esta estrutura imaginária chamada sociedade. Eu não me iludo com estas máscaras. Tento fazer um bom uso delas no meu dia-a-dia, mas no espelho a minha cara está sempre nua e crua. Me identifico com tudo aquilo que mexe com as minhas vísceras. Esquizofrênia? Falta de personalidade? Talvez... A normalidade me assusta! Quem é você? Não me fale características, eu quero saber apenas quem é você? Você têm uma essência? Ah, você já fez muitos anos de análise e hoje descobriu quem é você. Quanta bobagem... Eu não tenho uma essência, ou sou um ser extremamente complexo e holístico. Eu mudo a cada lua, a cada segundo. Os essencialistas são cartesianos. Separaram a palvra do sentimento, a fé do profano, o céu do inferno. Enfim, todas estas palavras não servirão para nada, pois são apenas palavras... Tenha consciência da morte, viva intensamente, não tenha vergonha, não sinta medo de errar, seja louco, bobo, romântico e sensível. A vida é uma só!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Primeiro Beijo

Meu coração batia meio apertado no meu peito. Meu corpo estava num estado de transe, no qual eu não conseguia pensar claramente. Muitas coisas vinham a minha mente mas nada se fixava por muito tempo. Ah, o tempo! O tempo parecia agradecer aquele momento, gozava com toda a tranqüilidade, mostrando todo o seu descompasso diante do compasso do meu coração. Na verdade acho que não existia o tempo naquele momento. O tempo sumira, dando lugar a duas crianças ditarem o tempo do mundo.


Eu estava lá, imóvel. Paralisado de medo, angústia, felicidade, excitação, enfim, apaixonado pelo momento. Não sei como me movi naquele momento. Me lembro de ter somente fechado os olhos e me aproximado lentamente dos seus lábios. Era como se meu corpo estivesse sendo atraído magneticamente pelo seu corpo, não havia, ali, nenhuma ação dominante de nenhum de nós dois. Naquele momento éramos apenas dois lábios. Dois lábios ansiosos por descobrir o outro. Dois lábios que se tocavam pela primeira vez, e como numa dança nunca antes executada, eles descobriam passos, inventavam novas maneiras de dançar, usando a língua, dentes, hálito e saliva.


A dança acaba como num encanto. E os lábios que conversavam com línguas diferentes, agora davam lugar aos olhos que se fitavam, como que perguntando o que acontecera. Não houve resposta nem de um, nem de outro. O tempo que sumira, agora já estava presente, enchendo de angústia aqueles segundos que pareciam não se acabar. Tudo que me restou fazer foi correr. Corri para bem longe daqueles olhos, corri para bem longe daquele tempo. Encontrei um cantinho qualquer onde pude me sentar e lembrar o que tinha acontecido. Era tudo muito estranho, muito novo. O gosto dos seus lábios ainda permanecia na minha boca. E eu sentia algo estranho no meu peito, não era mais o mesmo, algo tinha mudado dentro de mim. Me sentia inquieto, algo queimava dentro de mim, não fazia idéia porque estava daquele jeito. A única certeza que tinha é que aquilo era muito bom.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O poema final

Será preciso acordar novamente durante a noite, molhado em suor, com as mãos trêmulas e os ossos doendo. Não vejo mais nenhum sentido nisso tudo, somente fraqueza. Fraqueza que a minha alma insiste em esconder atrás desta máscara, atrás destas palavras.


Ele acordou mais uma vez, pegou o seu trompete, colocou no porta-malas do fusca junto com a garrafa de wisky e seguiu viagem. A última viagem da sua vida. Deixou para trás a família, os seus sonhos, e os sonhos de todos aqueles que depositavam nele as suas fantasias. Eles não teriam mais o palhaço para alegrar as suas festas, o poeta romântico para animar os seus jantares e nem o bebop do seu trompete naquelas noites insanas.


No seu túmulo, todos choravam a perda daquela criatura indomável. Todos puderam possuí-lo por um último instante. No outro dia, restou apenas algumas flores, uma garrafa de bourbon e as palavras que enfeitaram o seu jazido: “Viveu intensamente em busca da vida, mas encontrou na morte o poema final”.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Um novo coro

Faz muito tempo que eu não escuto nada que me faça querer fazer algo diferente. Sinto a música popular brasileira apática. Não sei se espero demais... Talvez, e neste talvez fica registrado a minha dúvida, eu esteja esperando algo além do além... Mas enfim, nos últimos anos ninguém lançou nada que me fez vibrar! Gosto de muita coisa nova! Não sou hipócrita... Afinal, estamos no Brasil! Haja o que houver, eu acredito que o Brasil sempre produzirá coisas boas. Mas talvez, por isso mesmo, eu sinto falta de algo mais febril. Não sei se fomos mal acostumados pela nossa cultura musical, ou mesmo pela nossa história. Mas eu sinto que falta uma simbologia do momento no que diz respeito a música popular brasileira. Falta verdade, falta vísceras, falta algo além do simplesmente ser. E eu digo isso não só como um ouvinte crítico do que acontece hoje, mas também como um compositor em conflito com a sua geração. O jovem está muito hedonista, muito niilista, sem entender os seus próprios conflitos. Não estou pregando aqui a busca pela felicidade! Mas eu acho que estamos sem referencial do que não queremos... Isso é interessante!!! Sinto que algo está para acontecer. São nestas horas de caos, de desapego ao que já aconteceu, de desilusão, que surge o novo. Não digo o novo momentâneo, eu digo um novo sujo, político, quem sabe golpista, carrasco, temporário, ou mesmo eterno! Precisamos fazer algo... Convoco vocês, infelizes ou felizes, poetas ou burocratas, putas ou santas, a cantar um novo coro.